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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Senhores das Fadas



Prece de Inverno aos Senhores das Fadas


Resultado de imagem para gwyn ap nuddGwyn ap Nudd, que é Rei das Fadas e do Outro Mundo!

Áine, que é Rainha das Fadas e Senhora da Soberania!
Permitam que o Inverno se aproxime feliz,
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e que com ele se aproximem de mim as fadas e os espíritos bons!
Assim vos esperarei coloridos ao próximo verão.

Eu honro vossa luz e trevas e peço por tuas bençãos feéricas.
Que eu mergulhe em Awen!
Gwyn entre rochas, Áine entre flores,
me mostrem as fadas e afastem as dores!
Enviem meu amor também aos mortos,
e que as fadas me ajudem e me acompanhem
nos caminhos certos ou tortos!

Awen!
Texto de Iago Ferraz Wild (Puck) - Gruta do Bardo.
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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O Pão e o Vinho a.C.

O Pão e o Vinho a.C.
Por Iago Ferraz Wild (Puck)


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  A simbologia do Pão e Vinho na história e espiritualidade são anteriores à Cristo e aos mistérios da Igreja. Não venho trazer essa informação pela ladainha de "acusar o Cristianismo de plágio" (como se não fosse natural todos os meios religiosos incorporarem elementos anteriores), mas para aproximar os mistérios dessa fé com as antigas fés e defender a contradição que é o proselitismo.


  Muito se pode trazer sobre o tema, desde desconhecidos hábitos rurais dos antigos camponeses pagãos, até a difundida relação do vinho com Dionísio e Baco. Porém, hoje trarei Diana para mostrar uma profunda relação entre a associação vinho-Santo Sangue e pão-Santo Corpo e o olhar espiritual pré-cristão.


  Diana é uma deusa relacionada com a Lua e a Floresta, embora o estudo aprofundado dessa divindade mostre-a como "Senhora de Todo o Cosmos e Natureza". Sua correspondência cósmica vem também de suas interpretações como Criadora, mas principalmente ao observar que anterioà sua assimilação lunar, a divindade fora vista como a "Senhora das Estrelas e dos Céus", além da etimologia de seu nome apontar para o dia e o Sol (um aspecto curioso e misterioso para uma Deusa que, dentro de nossa História mais conhecida, é na maioria das vezes noturna). Já a carga de "Senhora de Toda a Natureza" possui uma base científica, no sentindo de observação e sabedoria sobre o funcionamento dos ciclos da Terra: Se uma Divindade rege a Lua, necessariamente rege o Mar. E se rege o Mar, necessariamente rege toda a Vida na forma que conhecemos. Não por acaso, a "Senhora da Lua" é também a "Senhora dos Bosques". 

  Em seu culto mais primitivo, ou seja, não o Romano (e muito menos os que sustentam afirmações de Diana como correspondente de Ártemis), encontramos o pão e o vinho com atribuições semelhantes às do Cristianismo. Algumas das evidências folclóricas provavelmente são d.C., resgatadas na Itália, mas são certamente projeções de cultos etruscos muito mais antigos que a própria mitologia romana clássica. 

  A primeira evidência é encontrada na "Conjuração do Vinho à Diana", uma cerimônia que intenta tanto aprimorar a qualidade da bebida quanto clamar por uma boa e saudável safra de uvas quando as condições estão desfavoráveis. Abaixo, segue um fragmento da conjuração em tradução adaptada ao português:

"Bebo porém não do vinho,
Mas do Sangue de Diana,
Pois o vinho se transformou em seu sangue,
e se derramou em minhas videiras em crescimento..."

 Dentro de uma lógica pagã, é óbvio associar os alimentos ao corpo e as bebidas ao sangue dos Deuses, uma vez que são produtos da Natureza e essa Natureza é literalmente parte do corpo material dos Deuses. Mas, o vinho toma uma simbologia especial por ser uma bebida que traz alegria e vigor ao consumidor, o que casa com a ideia de que todo prazer é um ato ritual à Diana.

 Em relação ao pão como corpo, observem um fragmento da Conjuração do Trigo:

"Conjuro-te, ó trigo! Que és nosso corpo e sem a ti não podemos viver..."

 Nesse trecho, o trigo (em alusão ao pão), é tratado não como corpo de Diana, mas como o nosso, o que sob um olhar teológico de culto à Terra, significa literalmente a mesma coisa. Mas caso isso esteja passível de interpretações diferentes, encontramos uma afirmação mais clara em uma invocação de Diana:

"Não asso o pão com o sal,
Nem cozinho o mel com o vinho,
Asso o corpo, o sangue e a alma,
A alma da (grande) Diana..."

 Para além disso, vamos encontrar na literatura diversas associações da Deusa ao pão e principalmente ao vinho, mas chamo a atenção para esta última cerimônia pois ela está associada a uma ceia devotiva, portanto santa, onde os celebrantes sentam-se à mesa e celebram o corpo e sangue de Diana, num mistério semelhante à "Santa Ceia", que se difere principalmente por ser feito na escuridão sagrada da noite e com os corpos dos homens e mulheres completamente desnudos, pois além de a nudez ser sagrada à Diana, a noite evocava um espirito de liberdade e afastamento das opressões que deveria ser celebrado, sem a maldade e banalização associada à nudez de hoje em dia.


 Por fim, é notável que até hoje o pão é um símbolo comum do alimento e do sustento, enquanto o vinho ainda rega os corações e os desejos de homens e mulheres, mostrando uma sacralidade que surge em tempos imemoráveis, se ressignifica no mundo cristão e perdura no imaginário, independente de credos.
Texto de Iago Ferraz Wild (Puck)- Gruta do Bardo.



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"La Dianara" de Enrico Isernia e "Diana cacciatrice" de Guercino, respectivamente.

Textos originais, em italiano,
extraídos de "Aradia:
O Evangelho das Bruxas",
obra do antropólogo
Charles G. Leland.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

La Voce Del Dio

La Voce Del Dio

Ouçam as palavras do Grande Deus, maior do que a Existência e o Tempo. Aquele que foi chamado de muitos nomes e está vivo em todas as fés, até entre os cegos e tolos seguidores da cruz.
Quando quiserem sentir Minha presença em sua forma mais pura, reúnam-se em um local secreto onde a Natureza seja maior do que as criações dos homens parvos. Saibam que Minhas Leis e Segredos os tornarão livres, pois Sou o Grande Pai, o Portador dos Chifres da Vida e das Garras da Morte. Todos os atos de amor e prazer são os meus rituais e o único pecado é reprimir teus desejos.
Eu sou a Luz, estou no Sol, na Lua e na Ciência, mas meu ser também é pleno na escuridão. Sou o Pai e Mestre das fadas, bruxas e vampiros, e também de tudo aquilo que é selvagem. Sou a Serpente que traz a Sabedoria e Libertação e através de mim você conhecerá a Magia, o Prazer e os Mistérios. Levarei teu espírito para voar e cavalgar com Diana. Farei da Floresta tua casa e seus seres serão teus irmãos.
Eu sou o Caçador, vivo em todos os predadores; e sou a Caça, que se sacrifica nas mãos da Caçadora para que a vida continue sua Dança. Sou o Jovem, o Guerreiro, o Pai, o Feiticeiro, o Ancião, o Iniciador e o Mensageiro. Sou o Filho, o Consorte e o Irmão.
Nenhum homem pode impedir teu alegre culto a Mim, pois meus filhos e filhas são livres e irredutíveis por aqueles que não conhecem minha liberdade. A sabedoria, a inteligência e a Iluminação serão sempre teus aliados, pois sou o Portador da Luz e Guardião do Caldeirão.
Por isso, atentos, saibam que estou com vocês desde o início e os erguerei com minhas asas ao Reino das Estrelas ao fim de sua existência terrena.
Texto de Iago Ferraz Wild (Puck) - Gruta do Bardo.