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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

O ELO ENTRE VAMPIROS, BRUXAS, FEITICEIROS E CORUJAS


O ELO ENTRE VAMPIROS, BRUXAS, FEITICEIROS E CORUJAS
Por: Iago Ferraz Wild (Puck)

   Quando se fala sobre vampiros, podemos pescar informações e mitos de diversas regiões e culturas. Neste caso, destacam-se as europeias. Mas, aqui falaremos especialmente sobre os vampiros da Romênia, talvez os mais influentes na cultura globalizada devido a fama da Transilvânia. 
   Muitos indícios apontam que os vampiros romenos, em algumas de suas interpretações, seriam as próprias bruxas e feiticeiros, mitificados pelo medo dos civis e recebendo crendices populares que os associam aos mortos vivos com poderes demoníacos, sem sabermos ao certo se esses feiticeiros e bruxarias também se denominavam strigoi -vampiros romenos- ou não. 
   Em uma descrição superficial, os vampiros romenos chamados Strigoi, seriam o espírito de mortos ou mortos-vivos que não contentes com o túmulo, atormentam os vivos. Os strigoi possuem tanto um caráter fantasmagórico, associados à poltergeists e aparições, quanto o que se espera de um vampiro no atual imaginário popular: um monstro sanguinário. 
 Podemos entender estes aspectos diferentes através da terminologia romena, onde os "strigoi mort" apresentam o aspecto imaterial, sendo o espírito de mortos que retornam ao mundo dos vivos, especialmente para a casa onde viveram com suas famílias. Então, começam a exercer influências fantasmagóricas e demoníacas, iniciando-se com poltergeists, até a destruição de colheitas e o enfraquecimento de sua família até a morte. Neste último estágio, já possui forças para sair de onde foi seu lar e atormentar à outros. 
   Já os "strigoi viu", os vampiros vivos, são mais próximos do que entendemos como vampiros. Possuem habilidades mágicas, como a invisibilidade, a transformação em animais e a capacidade de drenar a vida das outras pessoas através do sangue. E é aí que começa a ficar interessante. Esses vampiros possuem essas habilidades pois são feiticeiros. 
   Lembre-se que a figura da feiticeira foi associada ao hábito de usar o sangue alheio para manutenção de sua beleza e juventude, uma crença comum em várias partes da Europa. A interpretação dessa crença na Romênia pode ser o que gera a ideia de imortalidade dos strigoi, difundida em algumas versões.
   De acordo com Adrian Cremene, em seu livro "Mythologie du vampire en Roumanie", este tipo de strigoi (strigoi viu) usava suas habilidades para tirar a produção de agricultores, também sendo capazes de controlar as chuvas e trazer granizo, além de lançar maldições de morte. 
   Apesar disso, saber que os strigoi seriam feiticeiros não quer dizer que a figura do vampiro seria uma interpretação ou uma classe dos praticantes de bruxaria e feitiçaria da época e região, mas outras coisas podem sugerir isso. 
   Essas informações não tem a intenção de dizer que os vampiros romenos seriam necessariamente as bruxas e feiticeiros da região, pois além dos strigoi mort, existem várias representações de vampiros, acreditados de carne e osso, que enriquecem o folclore da Transilvânia, atual Romênia, e que não se ligam às compreensões de bruxaria e feitiçaria. A intenção é mostrar que algumas dessas diversas interpretações os mostra como bruxas e feiticeiros (ou mostra as bruxas e feiticeiros como vampiros), que por seus poderes sobrenaturais eram vistos literalmente como seres sobrenaturais. 
   Para começar, o nome dado às bruxas em romeno é strigoaică, basicamente uma palavra feminina para strigoi. Ambas as palavras derivam de strigä, que significa "grito", "pio de coruja" ou especificamente uma referência às coruja-das-torres, ou coruja-rasga-mortalha (corujas da família Tytonidae). As corujas, como muitos sabem, apresentam relações folclóricas com a bruxaria e até mesmo no Brasil as rasga-mortalhas são temidas pela crença de que seu piado ou o evento de ser sobrevoado por uma é um presságio de morte. 
 Os mistérios da palavra "strigä" não param na coruja. Os equivalentes italianos da palavra, também descendentes do latim "strix (coruja) como "strigä", são "strege", "strighe" ou "striga", que são literalmente nomes dados às bruxas italianas, das chamadas Stregheria e Stregoneria, conhecidas também como Vecchia Religione, ou simplesmente, Bruxaria Italiana.
  Palavras semelhantes também são referidas como "bruxa" em outros idiomas como o português de Portugal (estrige), embora na maioria dos idiomas apareça apenas como "coruja". "Stryge", no francês, diz respeito de criaturas femininas voadoras e demoníacas.

"O termo é striges na Grécia, strigoi na Romênia, e strega na Itália. Esta bruxa foi muitas vezes uma mulher capaz de mudar de forma e voar pela noite sob a forma de um pássaro, mais frequentemente uma coruja. Ela sugava sangue humano e tinha respiração venenosa." (Eli Edward Burriss, 1931).

  Os animais associados aos strigoi e suas transformações ainda coincidem com os animais associados à bruxaria no imaginário europeu, como corujas (obviamente), cães, gatos, sapos, cobras, aranhas e é claro, morcegos.  

"Se o falecido tem cabelo vermelho, ele está muito propenso ao fato de voltar na forma de cão, sapo, pulga ou percevejo, e que entrar em casas durante a noite para sugar o sangue de jovens lindas. Portanto, é prudente esgueirar o caixão com força ou, melhor ainda, enfiar uma estaca no peito do cadáver." (Élisée Reclus, 1887).

  De acordo com certas fontes, os romenos ainda acreditavam que os vampiros se reuniriam em grupos, como clãs, para trocar conhecimentos e confraternizar. Desta ultima informação eu não pude confirmar a veracidade em artigos acadêmicos mais confiáveis, mas achei interessante compartilhar caso o leitor deseje se aprofundar na pesquisa. 
  Já em uma perspectiva cristã, os praticantes de bruxaria teriam grande probabilidade de se tornarem vampiros após a morte e no geral, a figura da bruxa era associada à figura da vampira, pois os religiosos defendiam que ambas haviam vendido a alma para o Diabo. De acordo com artigo "From Woods and Water to The Gran Bazaar: Images of Romania in English Travelogues After WWI", de Andi Sâsâiac, em 1923, uma mulher teria sido acusada de feitiçaria na Romênia sendo também suspeita de ser uma vampira.
   A verdade é que a tendencia do homem sempre foi de terceirizar ao sobrenatural suas tragédias, como a morte de seus bebês e a pouca fartura de suas colheitas (o que eu acho possível, porém muito exagerado em muitos casos), e isso refletia na imagem daquelas figuras que estariam ligadas à práticas ditas sobrenaturais, o que já é o suficiente para conectarmos as bruxas e os vampiros. A partir do cristianismo no entanto, certamente isso se agrava e, como todos sabem, a imagem dos praticantes de feitiçaria ou os que mantiveram crenças e tradições pagãs são demonizados e perseguidos, quando não diretamente, indiretamente através da difusão de associações entre o Capeta e o Mal do Mundo às figuras como as bruxas e strigoi.
  Por isso, acredito que entender a relação e o contexto entre essas figuras é um jeito de honrar não só as culturas, tradições e os folclores pagãos, mas de honrar nossos ancestrais e antepassados da Arte e dos Velhos Caminhos. Ancestrais e antepassados que na velha Transilvânia, de acordo com as associações folclóricas (mesmo que não saibamos se "strigoi" era apenas um termo perjorativo e de uso externo ou se também era usado pelos verdadeiros praticantes de feitiçaria) além de bruxas, feiticeiros e pagãos, eram vampiros. 
- Texto de Iago Ferraz Wild (Puck)- Gruta do Bardo.

Coruja-rasga-mortalha (Tyto alba) e seu "grito".


Bibliografia utilizada:
-  "Mythologie du vampire en Roumanie" - Adrien Cremene.
- "From Woods and Water to The Gran Bazaar: Images of Romania in English Travelogues After WWI" - Andi Sâsâiac. 
- "The Creatures of Night: Vampires From Books to Films" - Andre Marc Strumer.
- "Vampire in Mythologie und Folklore.” - Marco Frenschkowski.
- "Nouvelle Géographie Universalle, 1887" - Élisée Reclus.
-"Taboo, Magic, Spirits: A Study of Primitive Elements in Roman Religion" - Eli Edward Burriss.
- Wikipédia: Strigoi (https://pt.wikipedia.org/wiki/Strigoi ; https://en.wikipedia.org/wiki/Strigoi)
- How Stuff Works (https://science.howstuffworks.com/science-vs-myth/strange-creatures/vampire3.htm)



Fonte imagem: https://br.pinterest.com/pin/546272629776290587/

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Senhores das Fadas



Prece de Inverno aos Senhores das Fadas


Resultado de imagem para gwyn ap nuddGwyn ap Nudd, que é Rei das Fadas e do Outro Mundo!

Áine, que é Rainha das Fadas e Senhora da Soberania!
Permitam que o Inverno se aproxime feliz,
Resultado de imagem para aine goddess
e que com ele se aproximem de mim as fadas e os espíritos bons!
Assim vos esperarei coloridos ao próximo verão.

Eu honro vossa luz e trevas e peço por tuas bençãos feéricas.
Que eu mergulhe em Awen!
Gwyn entre rochas, Áine entre flores,
me mostrem as fadas e afastem as dores!
Enviem meu amor também aos mortos,
e que as fadas me ajudem e me acompanhem
nos caminhos certos ou tortos!

Awen!
Texto de Iago Ferraz Wild (Puck) - Gruta do Bardo.
A imagem pode conter: texto

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O Pão e o Vinho a.C.

O Pão e o Vinho a.C.
Por Iago Ferraz Wild (Puck)


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  A simbologia do Pão e Vinho na história e espiritualidade são anteriores à Cristo e aos mistérios da Igreja. Não venho trazer essa informação pela ladainha de "acusar o Cristianismo de plágio" (como se não fosse natural todos os meios religiosos incorporarem elementos anteriores), mas para aproximar os mistérios dessa fé com as antigas fés e defender a contradição que é o proselitismo.


  Muito se pode trazer sobre o tema, desde desconhecidos hábitos rurais dos antigos camponeses pagãos, até a difundida relação do vinho com Dionísio e Baco. Porém, hoje trarei Diana para mostrar uma profunda relação entre a associação vinho-Santo Sangue e pão-Santo Corpo e o olhar espiritual pré-cristão.


  Diana é uma deusa relacionada com a Lua e a Floresta, embora o estudo aprofundado dessa divindade mostre-a como "Senhora de Todo o Cosmos e Natureza". Sua correspondência cósmica vem também de suas interpretações como Criadora, mas principalmente ao observar que anterior à sua assimilação lunar, a divindade fora vista como a "Senhora das Estrelas e dos Céus", além da etimologia de seu nome apontar para o dia e o Sol (um aspecto curioso e misterioso para uma Deusa que, dentro de nossa História mais conhecida, é na maioria das vezes noturna). Já a carga de "Senhora de Toda a Natureza" possui uma base científica, no sentindo de observação e sabedoria sobre o funcionamento dos ciclos da Terra: Se uma Divindade rege a Lua, necessariamente rege o Mar. E se rege o Mar, necessariamente rege toda a Vida na forma que conhecemos. Não por acaso, a "Senhora da Lua" é também a "Senhora dos Bosques". 

  Em seu culto mais primitivo, ou seja, não o Romano (e muito menos os que sustentam afirmações de Diana como correspondente de Ártemis), encontramos o pão e o vinho com atribuições semelhantes às do Cristianismo. Algumas das evidências folclóricas provavelmente são d.C., resgatadas na Itália, mas são certamente projeções de cultos etruscos muito mais antigos que a própria mitologia romana clássica. 

  A primeira evidência é encontrada na "Conjuração do Vinho à Diana", uma cerimônia que intenta tanto aprimorar a qualidade da bebida quanto clamar por uma boa e saudável safra de uvas quando as condições estão desfavoráveis. Abaixo, segue um fragmento da conjuração em tradução adaptada ao português:

"Bebo porém não do vinho,
Mas do Sangue de Diana,
Pois o vinho se transformou em seu sangue,
e se derramou em minhas videiras em crescimento..."

 Dentro de uma lógica pagã, é óbvio associar os alimentos ao corpo e as bebidas ao sangue dos Deuses, uma vez que são produtos da Natureza e essa Natureza é literalmente parte do corpo material dos Deuses. Mas, o vinho toma uma simbologia especial por ser uma bebida que traz alegria e vigor ao consumidor, o que casa com a ideia de que todo prazer é um ato ritual à Diana.

 Em relação ao pão como corpo, observem um fragmento da Conjuração do Trigo:

"Conjuro-te, ó trigo! Que és nosso corpo e sem a ti não podemos viver..."

 Nesse trecho, o trigo (em alusão ao pão), é tratado não como corpo de Diana, mas como o nosso, o que sob um olhar teológico de culto à Terra, significa literalmente a mesma coisa. Mas caso isso esteja passível de interpretações diferentes, encontramos uma afirmação mais clara em uma invocação de Diana:

"Não asso o pão com o sal,
Nem cozinho o mel com o vinho,
Asso o corpo, o sangue e a alma,
A alma da (grande) Diana..."

 Para além disso, vamos encontrar na literatura diversas associações da Deusa ao pão e principalmente ao vinho, mas chamo a atenção para esta última cerimônia pois ela está associada a uma ceia devotiva, portanto santa, onde os celebrantes sentam-se à mesa e celebram o corpo e sangue de Diana, num mistério semelhante à "Santa Ceia", que se difere principalmente por ser feito na escuridão sagrada da noite e com os corpos dos homens e mulheres completamente desnudos, pois além de a nudez ser sagrada à Diana, a noite evocava um espirito de liberdade e afastamento das opressões que deveria ser celebrado, sem a maldade e banalização associada à nudez de hoje em dia.


 Por fim, é notável que até hoje o pão é um símbolo comum do alimento e do sustento, enquanto o vinho ainda rega os corações e os desejos de homens e mulheres, mostrando uma sacralidade que surge em tempos imemoráveis, se ressignifica no mundo cristão e perdura no imaginário, independente de credos.
Texto de Iago Ferraz Wild (Puck)- Gruta do Bardo.



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"La Dianara" de Enrico Isernia e "Diana cacciatrice" de Guercino, respectivamente.

Textos originais, em italiano,
extraídos de "Aradia:
O Evangelho das Bruxas",
obra do antropólogo
Charles G. Leland.

sábado, 7 de novembro de 2015

O Mantenedor da Vida

O Mantenedor da Vida 
Por Iago Ferraz Wild (Puck)

   Hades entre os gregos, Plutão entre romanos e Aita entre os etruscos. O Senhor dos Mortos e do Submundo sempre intimidou os mortais devido suas associações como deidade. Platão afirmou que a pronúncia de seu nome era evitada ao máximo pelas pessoas e Homero foi mais longe, o descrevendo como o Deus mais odiado pelos mortais. 
   Por qual motivo Hades, que muitos supõem ser Zeus, Poseidon e Dionísio, foi tão temido e odiado? Por qual motivo, nas filosofias pagãs modernas, ainda é evitado e considerado intimidador por ser considerado um Deus Negro? Tudo isso se explica pela tendência do ser humano em se preocupar mais com a morte do que com a vida, mais com os fins do que com os inícios e meios. 
   Ah, a morte! A temida morte. Tememos perder quem amamos, tememos que quem nos ama nos perca e, principalmente, tememos que a atual vida termine, pois o término é um constante lembrete do fato de que nós, independente da nossa arrogância específica, não temos controle. Sobre nada. 
   Como se não bastasse representar tudo o que mais tememos e não aceitamos, os mitos nos mostram Aita como o raptor daquilo que representa o que mais amamos e aceitamos: A vida, a fertilidade, a beleza...  Mas, ignorando a maquiagem poética e romântica, encontramos no Senhor da Morte e em seu caráter raptor, no sofrimento de Deméter e Perséfone (se você não está familiarizadx, leia os mitos de Hades e Perséfone antes de continuar a leitura) e em todos os fins e sacrifícios, a mais importante face de Hades: O Mantenedor da Vida. 
"The Mythological Tarot", O Arcano Maior "A Morte", do Tarot, é conhecido 
por simbolizar a natureza cíclica, fins e renovações, representado por Hades neste deck.

   Hades é a Terra e o seu interior. É o ciclador da vida. O Sequestro de Perséfone ilustra na verdade, a entrega e amor dela à Hades. Durante a Primavera e o Verão, a maioria das plantas e animais vivem fortes e saudáveis, pois essa vida e fertilidade são Perséfone, a Deusa das Plantas, sempre lembrada pelas flores e perfumes. Nesse propício período sazonal, podemos observar de forma bonita como a Natureza funciona: a vida dos carnívoros depende da vida dos herbívoros; a vida dos herbívoros depende da vida das plantas; a vida das plantas depende da fertilidade da terra. E o que torna a terra fértil e permite que toda a vida continue a seguir? Perséfone! A belíssima Senhora das Flores e Perfumes, Rainha do Submundo.
   É ela quem se entrega ao Senhor do Submundo, deixando que suas flores sequem, que suas folhas caiam, que suas frutas apodreçam e que seus caules e raízes morram. A entrada de Perséfone ao Submundo é a Promessa de Renascimento, a devolução de nutrientes e de riqueza para a Terra (Hades), que permite, ao final do período de Outono-Inverno, que a vida se renove e dance com Perséfone. 
   Em seu período nas profundezas, quando é chamada de Kore, Persephone me faz lembrar da simbologia dos animais que originaram a imagem chifruda de vários Deuses. Como o Veado que ao ser caçado, representa o sacrifício divino que é feito para que possamos sobreviver.


Persephone and Hades - Amy Erickson


   Cada flor e cada folha que admiramos, cada fruta que comemos, é resultado da dança de Perséfone e do Deus da Morte, que também é o Mantenedor da Vida, o Senhor da Terra, Senhor dos Fungos e Decompositores, e portanto, um Deus da Vida. Em cada folha caída, não importa a estação, um beijo de Perséfone em Hades. Em cada semente que brota, um beijo de Hades em Perséfone.

No próximo texto vou desenvolver um pouco mais  o assunto, abordando os Mistérios Eleusinos. 

Que a chuva molhe a terra e que você sinta o perfume de Hades ao subir do petrichor. 
Texto de Iago Ferraz Wild (Puck)- Gruta do Bardo.